Idealizado pelaWillys Overland do Brasil em parceria com a Renault, o
Corcel foi o resultado do Projeto M, que teve seus protótipos duramente
castigados para se adequarem às condições de rodagem no país. Estrutura e trem
de força eram compartilhados com o Renault R12 francês, mas suas linhas suaves
e retilíneas eram exclusivas do mercado brasileiro. Com a aquisição daWillys, o
novo modelo médio foi apresentado como um legítimo Ford no Salão do Automóvel
de 1968, ao lado dos enormes Galaxie.
O fato é que o Corcel reunia qualidades para ostentar a marca oval: tração
dianteira, freios dianteiros a disco, coluna de direção bipartida e radiador
selado eram novidades que o colocavam em paridade com o que havia de melhor e
mais moderno no mercado europeu. Em visita ao Brasil, o piloto Stir-ling Moss
considerou o Corcel melhor até que o Ford Cortina inglês: suas suspensões
conjugavam robustez, bom comportamento dinâmico e maciez.
Eficiente e funcional, suas quatro portas ofereciam bom acesso e espaço para
seis pessoas - mas conforto de verdade era só para cinco, por causa do câmbio
no assoalho. A atmosfera de seu interior era austera, com exceção do volante e
comandos herdados do Aero-Willys, responsáveis pela sensação de carro maior e mais
requintado. Logo no primeiro teste, em outubro de 1968, a revista distribuiu
elogios. "O carro na arrancada responde com presteza, num funcionamento
tão eficiente como os da mesma classe encontrados na Europa. (...) São
formidáveis os freios do Corcel", dizia o texto, que finalizava em tom de
aprovação geral. "O Corcel era o carro que faltava na faixa dos pequenos
para os médios."
Sob o capô estava uma evolução do motor Sierra desenvolvido pela Renault nos
anos 60: sua arquite- tura era tradicional, com bloco em ferro fundido e cinco
mancais de apoio para o virabrequim. O comando de válvulas ficava na lateral do
bloco, acionado por corrente, com válvulas no cabeçote de alumínio. De boa
elasticidade, o motor era econômico, mas oferecia desempenho fraco para seu
propósito. A transmissão manual de quatro marchas destacava- se pela precisão
dos engates e a tração dianteira só deixava a desejar em pisos escorregadios.
O quatro-portas tinha tudo para ser o sucessor do DKW Belcar entre os médios
compactos, porém não conquistou muitos admiradores graças em grande parte à
preferência do mercado pela duas portas, em que o estiloso Corcel cupê nadava
de braçada. O teste da versão quatro-portas, na edição de julho de 1969, já
adiantava outras razões que fariam o sucesso do cupê."É mais bonito e cust
amenos que o Corcel quatro portas. Por ser mais leve, os 68 hp rendem
mais." Esquecida pelo mercado, a versão quatro-portas deixaria de ser
oferecida quando veio a segunda geração do Corcel, em 1978, e a Ford só voltaria
a ter um sedã nesse segmento em 1982, com a chegada do requintado primo Del
Rey.
Fonte 4 rodas maio 2012